O Ibovespa fechou a segunda-feira em terreno positivo, encostando nos 134 mil pontos e renovando a máxima do mês. O avanço, de pouco mais de 0,8%, veio num pregão de baixa volatilidade e fluxo comprador persistente — o tipo de dia que não rende manchete grande, mas vai compondo o resultado da semana.
Os bancos carregaram o índice. Itaú, Bradesco e Banco do Brasil apareceram entre as maiores altas, num movimento que tem a ver com dois fatores: a expectativa de uma temporada de balanços sólida e a leitura de que o ciclo de alta da Selic está, de fato, perto do fim. Quando o juro para de subir, a curva de rentabilidade das financeiras fica mais previsível — e o mercado gosta de previsibilidade.
O que puxou o índice
Além das financeiras, a siderurgia teve um dia bom. As ações das siderúrgicas acompanharam a commodity lá fora, que andou pressionada por um dado de demanda um pouco melhor que o esperado. Não foi um movimento estrondoso, mas ajudou.
Destaques do pregão
| Ibovespa | 133.842 pts (+0,82%) |
| Volume financeiro | R$ 24,1 bi |
| Maior alta | setor financeiro |
| Maior baixa | energia elétrica |
No sentido contrário, parte do setor de energia elétrica fechou no vermelho. A pasta tem sofrido com o nervosismo em torno da regulamentação e com o custo de dívida ainda alto. É um setor que demanda paciência — e o investidor, hoje, está preferindo colocar dinheiro onde o ganho é mais imediato.
Não foi um pregão de notícia. Foi um pregão de fluxo. E, neste mercado, fluxo comprador num dia sem estímulo é mais forte do que parece. — leitura de um trader de mesa institucional, ouvido pela redação
O estrangeiro voltou comprador
Um dado que passou meio batido: o investidor estrangeiro voltou a comprar a bolsa depois de algumas semanas no lado vendedor. Ainda é cedo para falar em virada de tendência, mas o mercado acompanha esse fluxo com atenção. Quando o dinheiro de fora entra, costuma entrar de forma concentrada em poucos nomes de grande liquidez — foi o que se viu hoje.
Isso ajuda a explicar por que um punhado de ações grandes respondeu por boa parte do desempenho do índice. Num dia assim, o Ibovespa sobe, mas a sensação de mercado quente não chega a todo mundo. Quem olha o small caps, por exemplo, viu um pregão mais morno.
O que esperar daqui
A atenção agora se volta para a reunião do Copom, marcada para a semana que vem. O mercado já precifica, em grande parte, a manutenção da Selic — mas é o tom da ata que vai importar. Se o Banco Central sinalizar uma janela para cortes mais cedo do que o esperado, a curva de juros cai e a bolsa tende a se beneficiar. Se o tom for mais cauteloso, o fluxo estrangeiro que chegou hoje pode dar uma pausa.
Até lá, o mais provável é que o mercado ande lateral, sem grandes apostas. Para quem acompanha o pregão no dia a dia, o conselho prático é o de sempre: ler o fechamento com calma, separar o que é fluxo pontual do que é tendência, e não se assustar com oscilações de um dia só. A curva de juros e o comportamento do dólar seguem sendo os melhores termômetros do apetite a risco.
Atualizado em 7 de julho de 2025, às 18h20, com dados de fechamento consolidados.